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AYVU

Objetivo:

Criação de um site educacional bilíngue e de um livro infantil ilustrado.

Duração:

9 meses

Projeto:

TCC desenvolvido, em grupo, para a conclusão do Curso de Design da PUC-SP.

Ferramentas utilizadas:

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PROBLEMATIZAÇÃO

Pergunta principal: Como o design digital pode auxiliar no desenvolvimento de uma plataforma educacional que auxilie na preservação do idioma guarani para o público infanto-juvenil?

A preservação das culturas e línguas indígenas tem sido abordada ao longo dos anos em diversos estudos, dada a sua relevância diante do apagamento de etnias.

Nesse projeto, propomos investigar métodos de preservação e, por meio do design digital, contribuir para a redução da desigualdade educacional, com a criação de uma plataforma voltada para a alfabetização bilíngue do povo Guarani Mbya do Jaraguá, em São Paulo.

Nossos resultados indicam que a implementação de um sistema didático no CECI Jaraguá pode enriquecer os métodos de ensino, ajudando a reduzir as taxas de analfabetismo na região.

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OBJETIVO

Investigar e demonstrar de que maneira o encontro entre tecnologia, design e educação pode contribuir para facilitar o ensino do guarani e do português.

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GESTÃO DE PROJETO

Para a gestão do projeto e do tempo, elaboramos um cronograma no Excel, com os processos que precisávamos aplicar e os prazos para a entrega de cada um deles. Com isso, conseguimos nos organizar melhor durante todas as semanas até a entrega final do projeto.

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PESQUISA EXPLORATÓRIA

Para iniciar o projeto, precisávamos validar algumas questões. Tomamos a iniciativa de visitar os locais onde nosso público-alvo estava, a fim de conversar com eles. Assim, realizamos uma visita ao Museu das Culturas Indígenas e também visitamos uma aldeia chamada Tekoa Piau, localizada no Jaraguá, em São Paulo.

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BENCHMARK

Com o objetivo de entender o mercado, foram analisadas quatro plataformas de cursos, entre elas: Alura, Coursera, Descomplica e Udemy. A ideia foi identificar como as plataformas disponibilizam seu conteúdo.

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Também foram analisados quatro aplicativos educacionais para crianças, entre eles: Khan Academy Kids, ABCmouse, Lingokids e Duolingo. O objetivo foi identificar como os aplicativos disponibilizam seu conteúdo e como atendem às necessidades educacionais.

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Por fim, foram analisados quatro livros infantis ilustrados, entre eles: Arandu Mirim, O Catavento, Guayarê e Redondeza. O objetivo foi identificar os padrões dentro do universo literário de acordo com a faixa-etária considerada, além de comparar valores, número de páginas e acabamento entre as obras.

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CONCEITO

Propomos o desenvolvimento de um site de aprendizagem das línguas guarani e português, acessível em plataformas móveis, tablets e desktops, facilitando o acesso da comunidade indígena. O site oferece um curso gratuito com módulos e atividades voltados para crianças a partir de 8 anos.

Além disso, foi desenvolvido um livro infantojuvenil que conta uma história de origem guarani, conectada ao personagem principal do site. Dessa forma, criamos uma narrativa que se desenvolve em dois meios distintos, mas que permite que funcionem de forma independente.

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HIPÓTESES

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IDENTIDADE VISUAL

Escolhemos a palavra “Ayvu”, que significa palavra, mas também voz, canto, fala, alma, nome, vida e origem (CADOGAN, 1997), buscando preservar a identidade cultural dos Guarani Mbya. Esse termo é reconhecido na obra Ayvu Rapyta, de León Cadogan, na qual é descrito como algo que vai além da comunicação verbal.

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A tipografia escolhida possui formas arredondadas, refletindo o movimento orgânico e fluido da serpente, um símbolo importante na cultura Guarani Mbya. Essa escolha transmite uma sensação de acolhimento e conexão com o público.

Além disso, o grafismo da serpente é utilizado para ilustrar o ciclo contínuo de aprendizado e renovação do conhecimento. Para o povo Guarani, a serpente simboliza transformação, renovação e a conexão com o mundo espiritual. Seguindo esse significado, Ayvu propõe um caminho flexível entre duas línguas e duas culturas, integrando o guarani e o português.

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A HISTÓRIA DO FOGO

Como material complementar ao site, decidimos produzir um livro infantil bilíngue nas línguas guarani e português, para que os usuários do curso desenvolvam suas habilidades de leitura enquanto contemplam “A História do Fogo”, um conto originário da cultura Guarani Mbya.

A narrativa se passa em uma comunidade indígena onde os urubus monopolizavam o fogo como um bem individual. Após uma reunião entre animais e humanos, é traçado um plano para que o coelho e o sapo possam roubar o fogo dos urubus, garantindo que o povo Guarani tenha acesso ao recurso natural.

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Para o início do desenvolvimento do livro, realizamos uma escaleta, com um roteiro da história, cena por cena, já dividida em capítulos, apontando todas as informações possíveis na ordem em que serão escritas.

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OFICINA DE DESENHO

Para as ilustrações do livro, decidimos realizar uma oficina de Conto e Desenho com as crianças da Aldeia Tekoa Pyau. O conto utilizado, “A História do Fogo”, originário da cultura Guarani Mbya, foi contado oralmente para as crianças em português e traduzido para o guarani por uma moradora local. Após a contação da história, elas puderam produzir seus desenhos sobre as partes que mais gostaram, utilizando giz, lápis de cor e tinta guache.

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ILUSTRAÇÕES

Com o término da oficina, iniciamos os processos de ilustração digital e diagramação do livro. O estilo de ilustração escolhido foi cuidadosamente pensado para complementar os desenhos das crianças. Para isso, utilizamos diferentes texturas de giz a fim de compor o cenário e os personagens, além de incorporar desenhos infantis com traços amadurecidos para envolver o público infantojuvenil.

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ILUSTRAÇÕES

Além disso, decidimos que o livro infantojuvenil será bilíngue, com ilustrações que remetem à natureza, terá 28 páginas e acabamento em impressão digital com capa dura. Para a entrega final, desenvolvemos físicamente o livro.

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PLATAFORMA EDUCACIONAL - AYVU

Para a estruturação da nossa plataforma, decidimos disponibilizar um curso gratuito para auxiliar no processo de aprendizagem de nosso público-alvo, com foco nas línguas guarani e português. Nesse contexto, criamos um sitemap para definir o fluxo e a estrutura de páginas do site, com o objetivo de propor uma interface simples, intuitiva e funcional.

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5 WS

Utilizamos o processo 5WS (Quem, O quê, Onde, Quando, Por quê) para garantir que todas as questões-chave sobre um problema ou contexto fossem abordadas de forma clara e abrangente. Isso nos ajudou a melhorar o entendimento do produto, do comportamento dos usuários e de suas necessidades.

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JORNADA DO USUÁRIO

Para entender as etapas que os usuários poderiam percorrer ao interagir com nosso produto, desenvolvemos uma jornada do usuário. Com ela, descrevemos as experiências e sentimentos do usuário ao longo de sua interação, desde o primeiro contato até a conclusão de um objetivo.

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EXERCÍCIOS

Durante o desenvolvimento do curso, consideramos o perfil do nosso público-alvo. Com base em nossa pesquisa de campo, identificamos que, na aldeia Tekoa Pyau, o ensino é frequentemente iniciado tardiamente em comparação ao ensino não-indígena, e algumas crianças ingressam nas escolas estaduais em idade mais avançada.

Por isso, os exercícios da plataforma foram adaptados a essa realidade. Nosso público é composto por crianças e jovens de 8 a 16 anos. Contudo, nas comunidades indígenas, as crianças dessa faixa etária falam guarani e possuem uma compreensão básica do português, restrita à comunicação oral. No entanto, muitas delas ainda não sabem escrever em guarani e português, e encontram-se em diferentes níveis de aprendizado.

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Nossa proposta de ensino está alinhada às diretrizes da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), documento que orienta as redes municipais de educação na implementação de recursos educativos.

Nossos exercícios também estão alinhados com metodologias já aplicadas em outras escolas indígenas. Em geral, os educadores relatam que trabalham com crianças por meio de desenhos, identificação de letras, formação de sílabas e separação de palavras (MONGELO, 2015).

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PROTÓTIPO DE ALTA

A partir de todos os processos de UX, foi desenvolvido o protótipo do site educacional para ser testado posteriormente no teste de usabilidade. O dispositivo principal do site era em modelo desktop, mas queríamos que, em qualquer dispositivo acessado, o usuário tivesse uma experiência agradável. Por isso, o design, as imagens, as ilustrações e os layouts foram adaptados para tablet e mobile.

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TESTE DE USABILIDADE

Conduzimos um teste de usabilidade com o objetivo de avaliar nossa plataforma educacional. Produzimos um roteiro pensando nos objetivos e dúvidas que queríamos abordar com as perguntas, validando-as e analisando como isso impactaria o nosso produto final.

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As interfaces foram testadas com 8 pessoas, com idades entre 8 e 21 anos, todas da Aldeia Tekoa Pyau, em Jaraguá - São Paulo. A partir dos resultados, podemos perceber que:

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Com base no teste de usabilidade, decidimos realizar algumas alterações nos wireframes apresentados a fim de aperfeiçoar a experiência do usuário.

Para aprimorar a usabilidade da home, consideramos reformular o formato dos botões da navbar, pois não ficou claro para todos os usuários que as palavras “Curso” e “Livro” também funcionam como botões.

Além disso, implementamos um vídeo demonstrativo das atividades para comunicar visualmente a temática do site aos usuários ainda não alfabetizados.

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A troca do ícone associado à opção “Praticar” também foi realizada, uma vez que 100% dos usuários não compreenderam o ícone utilizado.

As cores e outros elementos da UI também foram ajustados para melhorar a dinâmica de entendimento da página.

75% dos usuários apresentaram dificuldades para compreender as seguintes tarefas: concluir a atividade básica proposta em guarani ou português.

Ajustamos a cor de background dos elementos que eram botões, diferenciando-os dos elementos não acionáveis, para melhorar o entendimento.

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VALIDAÇÕES DE HIPÓTESES

A terceira hipótese (H3), que associa o desinteresse das crianças indígenas ao uso predominante do português em recursos educacionais, foi refutada, já que o uso do guarani dentro da plataforma foi bem recebido, visto que esse idioma continua sendo a língua principal na aldeia Tekoa Pyau e permanece vivo na prática diária e na cultura da comunidade.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Realizar esse projeto foi um enorme desafio. Precisamos nos aprofundar diretamente no tema e no nosso público-alvo para entender realmente suas vivências e como o nosso produto impactaria suas vidas e geraria valor.

Os desafios permearam diversas etapas do projeto, mas, no final, foi gratificante entender o propósito que tínhamos com ele e ouvir de uma professora da aldeia que visitamos que ela leria o nosso livro para as crianças na escola. Esse projeto me mostrou como o nosso trabalho, como designers, pode impactar diretamente vidas.

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